Estrelas que brilham no metaverso
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O metaverso, de conceito ainda questionável, é o hype do momento e está permitindo a criação de novos modelos de organização econômica, social e política. Ele se apresenta como um ambiente que mistura os mundos físico e digital, ligando investimento emocional com comércio imersivo. Atualmente, os games Play-to-Earn (P2E – jogar para ganhar) são as estrelas deste novo mundo e desde o início do ano ganharam força com o avanço dos NFTs (Non-Fungible Tokens). 

Porém, confesso que quando penso em jogos eletrônicos de uma forma geral, ainda os relaciono diretamente com o público adolescente e infantil. Garotos que ficam horas sentados em frente ao PC, a uma tela de TV ligada a um console, ou mesmo focados nas pequenas telas de celulares. Mas os cripto-jogos estão transformando a economia e já são uma forma de muitas pessoas, em todo o mundo, sustentarem suas famílias. A diversão virou profissão.

Desde o início, com a mania dos CryptoKitties – entretenimento de gatos que gerou mercado de criptomoedas -, os jogos NFT se desenvolveram e começaram a oferecer modelos P2E. A proposta é simples: quanto mais você joga, mais você ganha. O GameFi, como ficou conhecido, mistura os mundos das finanças e dos games, proporcionando aos usuários, reais oportunidades de ganhar dinheiro enquanto jogam. Atualmente, os praticantes podem experimentar modelos variados com diversos temas, além dos animais colecionáveis. E a possibilidade de explorar o metaverso tem acelerado ainda mais esta cultura.

Os antigos jogos Pay-To-Win (pague para ganhar), em que se gasta dinheiro comprando objetos para incrementar avatares ou melhorar a performance, estão sendo substituídos pelos games onde todos os objetos são NFTs. Os objetos únicos espalhados pelo ambiente do jogo podem ser acumulados e incrementados, para serem negociados nas exchanges de NFTs, trocando-os por criptomoedas. O valor dos itens varia de acordo com sua raridade ou utilidade no jogo. O blockchain se encarrega não só de testar a autenticidade de cada objeto, como também garantir sua propriedade.

Splinterlands, Axie Infinity e CryptoBlades são exemplos de jogos no modelo de GameFi que enfatizam uma economia aberta (DeFi). DeFi é a sigla para “Decentralized Finance” que em português significa “finanças descentralizadas”. O DeFi é um termo abrangente para uma variedade de aplicativos e projetos no espaço público de blockchain criados para rivalizar com o mundo financeiro tradicional. É constituído de contratos inteligentes, que são acordos automatizados e executáveis que não precisam de intermediários e podem ser acessados por qualquer pessoa com uma conexão à Internet. Foi desenvolvido para ser um sistema transparente e robusto que nenhuma entidade isolada controla, facilitando acesso para empréstimos ou negociações de ferramentas financeiras. 

Muitas pessoas que perderam seus empregos nos últimos meses encontraram no P2E uma alternativa. Mais de 60.000 filipinos estão ganhando como gamers, e por incrível que pareça já existem alguns “milionários”, como o jovem John Aaron Ramos, de 22 anos, que virou notícia quando anunciou no Facebook que tinha comprado dois apartamentos em Manila com a receita dos jogos. A situação é tão inusitada que o governo nas Filipinas anunciou que os jogadores deverão pagar impostos sobre esses ganhos, porque já se configura uma geração de renda recorrente. 

Lógico que mesmo sendo um mundo virtual é possível perder dinheiro jogando jogos NFT. Os riscos dependem do tipo de jogo, da sua mecânica e do valor dos NFTs relacionados. Porém, perder dinheiro não significa necessariamente que você está sendo enganado ou que o game é um scam (golpe). Como os NFTs são especulativos e seu valor oscila conforme as opiniões das pessoas sobre eles, potenciais perdas obedecem às forças do mercado. Como qualquer tipo de investimento cripto, disponha apenas o que você pode e tem, inclusive o tempo.

O metaverso deixou de ser algo imaginário, que só acontece em cenários fictícios de filmes, para se tornar uma aplicação real, pois é uma economia real com dinheiro real. E o portal de entrada foi através dos games. Estamos presenciando uma revolução, aliada a onda da inclusão e diversidade, temos hoje um grande avanço de jogadores mais velhos, do público feminino e torneios exclusivos para o público LGBTQIA+. Apesar de algumas resistências, é preciso considerar todos os corpos, mentes, gêneros, orientações sexuais, classes econômicas e pessoas com deficiência. Diversas marcas estão transformando o mercado de games em um ambiente mais inclusivo e de competição diversa.

O público gamer não para de crescer. A economia se transforma e apresenta novos modelos de remuneração. Muitas tecnologias impulsionam a consolidação do metaverso para substituir o que hoje conhecemos como internet. Existem infinitas oportunidades sendo criadas para melhorar nossas experiências. A forma como interagimos, trabalhamos e nos comunicamos está em ebulição. Brilharão aqueles que se adaptarem rapidamente nesse novo mundo.

Leia mais:

Diversidade e inclusão no metaverso

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Marcelo Molnar

Sobre o autor

Marcelo Molnar é sócio-diretor da Boxnet. Trabalhou mais de 18 anos no mercado da TI, atuando nas áreas comercial e marketing. Diretor de conteúdo em diversos projetos de transferência de conhecimento na área da publicidade. Consultor Estratégico de Marketing e Comunicação. Coautor do livro "O Segredo de Ebbinghaus". Criador do conceito ICHM (Índice de Conexão Humana das Marcas) para mensuração do valor das marcas a partir de relações emocionais. Sócio Fundador da Todo Ouvidos, empresa especializada em monitoramento e análises nas redes sociais.

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