Desafios da comunicação no metaverso
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Apesar de existirem diversas definições sobre o que de fato é a comunicação empresarial ou comunicação corporativa, podemos exemplificar como uma ação estratégica das empresas, que engloba a supervisão da assessoria de imprensa, o planejamento, a implementação e a condução das ações de comunicação interna, e todo e qualquer relacionamento com o público externo. É uma atividade essencial para a condução dos objetivos de manutenção da reputação das organizações, assim como procura assegurar uma estratégia coerente para envolver todas as partes interessadas. O que já não era simples, aumentou significativamente em complexidade com a viabilização do metaverso.

A comunicação neste novo ambiente – que alguns chamam de “fígital” ou de internet espacial – proporcionará oportunidades que hoje não conseguimos imaginar. Será nesse ciberespaço de avatares digitais, ativações de realidade virtual, NFTs e parcerias de jogos que surgirá um terreno fértil para construir relacionamentos das marcas com os mais diversificados grupos que convivemos atualmente e que, inevitavelmente, trará inúmeros desafios.

Já não é recente a criação de influenciadores digitais. Diversas marcas estão explorando a criação de suas próprias personalidades virtuais. Críticos argumentam que os influenciadores estão tirando os empregos das pessoas, enquanto outros questionam a adequação de gênero e raça. Para exemplificar, na China, diversas marcas estão se utilizando de personagens digitais para evitar a desaprovação do governo quanto à cultura da celebridade.

Várias questões éticas estão surgindo. Especialistas e comunidades têm questionado o quanto é correto um homem branco se utilizar de um avatar de uma mulher negra. Menores de idade se passando por adultos ou idosos usando avatares de crianças. O metaverso vai não apenas espelhar o mundo real em todas as suas complicações, mas irá estendê-lo e intensificará muitos dos problemas que hoje enfrentamos, envolvendo temas como direitos, deveres, identidade, saúde, guerras, respeito, poder e felicidade.

Várias atividades inicialmente realizadas como lazer estão se tornando ações profissionais, o que a princípio não é ruim, pois sempre acreditamos que o sucesso ocorre quando se trabalha fazendo o que gosta e se divertindo. Controles de misseis de guerra e operações cirúrgicas delicadas estão sendo realizados através de joysticks manuseados a distância de milhares de quilômetros, usando óculos ou roupas especiais. A presença física será cada vez mais opcional e muitas vezes questionada, em um momento em que a preocupação com o meio ambiente e consumo energético assume prioridade internacional.

Acompanhamos a popularização das videoconferências que viabilizou o trabalho à distância. O conceito de escritório virtual teve as resistências eliminadas. Microsoft Teams, Zoom e Google Meets se popularizaram, e ganharam companheiros como o Horizon Workrooms, Spatial, Immersed e EngageVR, possibilitando experiências cada vez mais imersivas. Além de ser a próxima geração tecnológica, o metaverso será o próximo capítulo para o mundo corporativo. A relação capital trabalho, casa escritório, assim como a vida pessoal e profissional estarão cada vez mais entrelaçadas, e estas sobreposições serão outros pontos a serem discutidos sobre o que é eticamente suportável.

Preocupações não faltam e alguns especialistas estão questionando a privacidade e a segurança neste novo modelo. As armadilhas serão inúmeras, pois existe a possibilidade de muitas pessoas, principalmente os mais jovens, de acharem o metaverso tão atraente que poderão negligenciar suas necessidades no mundo real. Nada muito diferente do que já vem sendo questionado e analisado nos comportamentos das últimas gerações. Todos nós estamos convidados a participar desta revolução. Escolham seus avatares e suas armas e vamos para o novo jogo das nossas vidas. O metaverso será utilizado por todos e isso significa que as oportunidades para os profissionais de comunicação se multiplicará. Empresas e pessoas diferentes terão necessidades de comunicação baseadas em seus respectivos contextos. Nada garante que os protocolos de interação entre os avatares serão os mesmos de hoje. Aos resistentes e avessos as modernidades, sugiro atenção. Aos inquietos e inovadores sejam bem-vindos. E boa sorte!

Para saber mais:

Metaverso será maior que o Bitcoin, que a internet e vai reinventar a sociedade, dizem especialistas

O que é o metaverso?

Estrelas que brilham no metaverso

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Marcelo Molnar

Sobre o autor

Marcelo Molnar é sócio-diretor da Boxnet. Trabalhou mais de 18 anos no mercado da TI, atuando nas áreas comercial e marketing. Diretor de conteúdo em diversos projetos de transferência de conhecimento na área da publicidade. Consultor Estratégico de Marketing e Comunicação. Coautor do livro "O Segredo de Ebbinghaus". Criador do conceito ICHM (Índice de Conexão Humana das Marcas) para mensuração do valor das marcas a partir de relações emocionais. Sócio Fundador da Todo Ouvidos, empresa especializada em monitoramento e análises nas redes sociais.

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