Metaverso: mudar ou morrer
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O Metaverso pode ser a solução da humanidade. Pretencioso, mas verdadeiro. Para isso será necessário que acadêmicos, cientistas e pesquisadores unam as pontas. Para salvar o planeta devemos incentivar a digitalização da sociedade. Parece estranho, eu sei. Porém, será oportuno sobrepor os avanços tecnológicos à imposição climática, para corrigir o pensamento de consumo desenfreado que estimula a aquisição de bens físicos. Não é lógico pensar em um crescimento constante do PIB no mundo, e ao mesmo tempo acreditar que é possível diminuir o consumo energético.

Desde a revolução industrial, quando começamos a produção em escala, inventamos um mecanismo de desejo de consumo insano. O marketing reforça a lógica de que precisamos adquirir sem necessidade, gastando o que não temos, para mostrar para quem não conhecemos. Mas os recursos da Terra são limitados. Tudo o que é produzido consome energia. E estamos longe de possuirmos um equilíbrio na matriz energética de fontes renováveis como o sol, o vento ou do movimento das marés. Dependemos ainda da queima dos combustíveis fosseis como o carvão e o petróleo.

Medidas paliativas são propaladas, como a reciclagem e o reuso. A bandeira da sustentabilidade é antiga, mas não é sedutora o suficiente. A crise climática ganha espaço, mas o foco da comunicação em diminuir 1 ou 2 graus na temperatura ambiente parece que não irá nos afetar. Investimos no desenvolvimento de outras fontes de energia alternativas como energia nuclear, os biocombustíveis ou energia hidroelétrica. Melhora, mas não resolve, pois continuamos dependo dos recursos naturais finitos, alterando a natureza ou produzindo lixo tóxico de alto risco. Mas o ponto principal, que é atacar a aquisição de bens físicos, passa desapercebido. Precisamos reduzir a obtenção de recursos naturais.

O Metaverso pode ser um caminho para a digitalização da sociedade. Aprendemos a digitalizar fotografias. Alteramos a forma como consumimos música, informação e o sistema financeiro, entre tantas outras coisas, mas ainda continuamos apegados a bens materiais para demonstração de status e sucesso. No mercado de trabalho conseguimos acabar com o poder das gavetas, que antes escondíamos o conhecimento, mas não conseguimos diminuir o orgulho dos nossos armários residenciais, abarrotados de roupas e sapatos que usamos para combinar estilos e cores. Repetir o uso é vergonhoso.

A digitalização das empresas e dos negócios tem limites. Precisamos direcionar o consumo de energia para atividades que realmente são insubstituíveis ou para eventos especiais. Continuaremos a ser humanos e tendo necessidades físicas para uma boa saúde mental. Precisamos encontrar um ponto de equilíbrio. A lógica de Maslow continua valendo, mas na medida que subimos na pirâmide temos que implementar valores digitais. Precisamos de comida, água e ar respirável neste ou em qualquer outro planeta. Mas reconhecimento, status e muitas das realizações individuais podem ser convencionadas para o mundo virtual.

Hoje temos medo de que os robôs roubem os empregos de força física e que a Inteligência Artificial substitua as atividades intelectuais, mas esquecemos que no Metaverso poderemos ter vagas infinitas. O digital é uma opção inclusiva. Games já são profissões. A telemedicina é mais democrática. As escolas precisam evoluir. Os deslocamentos físicos em muitos casos podem e devem ser substituídos. Os avatares e as holografias vão nos representar. Os motores necessários poderão ser elétricos e autônomos. Criptomoedas, blockchain, NFTs, 5G estão disponíveis para serem usados, mudando a lógica da centralização e do acúmulo de bens e recursos. As coisas (IoT) precisam ter utilidades funcionais.    

Afinal, em muitos casos já estamos adaptados. As redes sociais, apesar de muito criticadas, fazem parte da nossa vida e da nossa rotina. Só precisamos melhorar a utilização. Entretenimento poderá ser útil e saudável. O investimento em cibersegurança é fundamental e deve ser uma atividade diferenciada. As Fake News precisam ser combatidas. Os algoritmos aperfeiçoados. Podemos promover um mundo físico mais colaborativo e um mundo virtual mais competitivo. É só uma questão de convenção e adaptação.

A computação quântica está chegando e com ela vamos aprender a entender e dar valor as pequenas coisas. A verdade é que a pobreza ainda é endêmica. Parece absurdo, mas muitas pessoas ainda morrem de fome. Estamos supreendentemente evoluídos em algumas áreas, enquanto outras são iguais aos tempos das cavernas. A digitalização da sociedade poderá equiponderar o técnico com o econômico, compensar o físico com o mental.

O Metaverso ainda é um conceito e uma promessa. Ele não surgiu com o Zuckerberg ou com o Facebook. Assim como a internet pareceu inútil quando nasceu. Mas me parece estranho que dois temas tão interligados como a tecnologia digital e os impactos climáticos sejam tratados de forma isolada. Muitas soluções estão na frente dos nossos olhos, mas preferimos ver o lado negativo de ambos. Sempre foi mais fácil criticar o desenvolvimento tecnológico. Da mesma forma que acreditar nas promessas que todos sabem que não serão realizadas, em relação aos problemas climáticos. Para esse ambiente, que hoje nominamos como Metaverso realmente existir, precisa de um propósito. Nada melhor que mudar a humanidade. 

Muito utópico é verdade. Mas o sonho de uma sociedade melhor e mais equalitária sempre esteve nos livros e no inconsciente humano. Os alquimistas prometeram mais do que entregaram. A barbárie e a selvageria fizeram parte da evolução humana. Guerras religiosas espalharam muito sangue. Quem sabe não chegou um momento de conscientização e mudança, quando todos estamos no mesmo barco, neste chamado planeta Terra. Pode não ser hoje, nem amanhã, mas um dia irá acontecer. Não temos saída. É mudar ou morrer.

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Marcelo Molnar

Sobre o autor

Marcelo Molnar é sócio-diretor da Boxnet. Trabalhou mais de 18 anos no mercado da TI, atuando nas áreas comercial e marketing. Diretor de conteúdo em diversos projetos de transferência de conhecimento na área da publicidade. Consultor Estratégico de Marketing e Comunicação. Coautor do livro "O Segredo de Ebbinghaus". Criador do conceito ICHM (Índice de Conexão Humana das Marcas) para mensuração do valor das marcas a partir de relações emocionais. Sócio Fundador da Todo Ouvidos, empresa especializada em monitoramento e análises nas redes sociais.

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