Inteligência Artificial Generativa: Dirigir e Não Competir

Última atualização: 8 de fevereiro de 2023
Tempo de leitura: 6 min

Recentemente, a descentralização da Inteligência Artificial Generativa (IAG) permitiu que um conjunto amplo de empresas e indivíduos interaja com modelos de aprendizado profundo, como o ChatGPT – modelo de inteligência artificial criado pela OpenAI, para conversar com as pessoas de modo natural -, para a geração de conteúdos, antes restritos a instituições com grandes conjuntos de dados. A aura ilusionista e nossa tendência a antropomorfizar máquinas têm levado a muitos considerarem que esses sistemas já são inteligentes e sencientes. Acredito que estamos muito longe disso, mas os avanços são surpreendentes e inquestionáveis. Um dos pontos pouco discutidos é se nós humanos estamos manipulando ou sendo manipulados pelos algoritmos? Acho que os dois.

O paradoxo do conhecimento é que ele nos traz mais dúvidas, e isso é bom. Há tempos que somos estimulados a buscar mais informações, a desvendar mistérios e a resolver problemas. O desenvolvimento científico estimula nossa espécie desde os primórdios da história humana. Por gerações os pais colocam o futuro e a felicidade dos seus filhos na formação acadêmica, como se fosse a solução para uma vida plena e satisfatória. Ouvimos repetidamente sobre como encontrar o caminho para o sucesso. O que é certo e o que é errado. Que sem esforço não chegaremos a lugar algum, entre tantas outras frases feitas.

Com a evolução da IAG, a confusão entre o que é informação e conhecimento parece sobreposto. O ChatGPT criou um verdadeiro frenesi, até mesmo para aqueles que não acompanham profundamente o assunto. Alguns já apostam que esta tecnologia substituirá os mecanismos de busca. Imagine que se ao invés de sermos direcionados para vários sites com as respostas para as nossas perguntas, elas já nos aparecessem na tela, mais completas do que esperávamos, com sugestões criativas, no mesmo instante, baseado em centenas de trilhões de parâmetros. Esta e outras promessas são esperadas para o lançamento da linguagem de processamento natural GPT-4, a base do ChatGPT.

Mas não vamos nos esquecer de que as coisas não são mágicas. São tecnologias com grandes potencialidades, mas também com grandes questões éticas a serem discutidas. Quando pensamos em máquinas inteligentes precisamos lembrar que existem diversas formas de inteligência. Algumas projeções futuristas apontam para um futuro cataclísmico, onde nós humanos seremos simplesmente substituídos, com o fim dos empregos e destruição de fonte de renda das famílias. Realmente não acredito nisso, o que não significa que não teremos desafios.

Guardadas as devidas proporções, no início da industrialização, no século XVIII, devem ter ocorrido diversas análises e debates parecidos. O uso de máquinas no campo deve ter tirado o sono de muitos lavradores e agricultores da época. Afinal, foram séculos e séculos em que a labuta da terra ocupou uma parte significativa da população existente. Resistências e negacionistas não faltaram, mas aqueles que se adaptaram a nova ordem social e econômica foram beneficiados. Muitos sofreram até que limites e regras foram criados para banir os abusos inevitáveis.

O ser humano, graças a sua constituição psíquica, mental, espiritual e física, é um ser adaptável a todas as mudanças e situações em que a vida o coloca. Os profissionais da comunicação têm presenciado momentos desafiadores e complexos, não só no que diz respeito ao exercício das atividades, bem como ao que podemos chamar de responsabilidade. O acesso facilitado ao meio de distribuição de informações facilitou a manipulação das informações pela técnica da repetição. O grande volume de estímulos nos fez perder o interesse no obrigatório exercício da reflexão.

Para que possamos permanecer no topo da cadeia intelectual, devemos parar de nos preocupar apenas em criar conteúdo, seja na forma de texto, áudio, imagem, vídeo, código ou gráfico. A Inteligência Artificial Generativa fará isso com velocidade e em quantidade. Devemos ocupar o papel de certificadores de qualidade. Assim como no passado, precisamos aprender a dirigir os tratores e não em competir com eles. O aprendizado não pode e não deve ficar limitado ao período acadêmico. A nova realidade nos impõe a aprender todos os dias, em todos os momentos. É preciso estarmos na direção das novas tecnologias e não na infundada e cansativa fuga de sermos atropelados por elas.

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Marcelo Molnar

Sobre o autor

Marcelo Molnar é sócio-diretor da Boxnet. Trabalhou mais de 18 anos no mercado da TI, atuando nas áreas comercial e marketing. Diretor de conteúdo em diversos projetos de transferência de conhecimento na área da publicidade. Consultor Estratégico de Marketing e Comunicação. Coautor do livro "O Segredo de Ebbinghaus". Criador do conceito ICHM (Índice de Conexão Humana das Marcas) para mensuração do valor das marcas a partir de relações emocionais. Sócio Fundador da Todo Ouvidos, empresa especializada em monitoramento e análises nas redes sociais.

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