GPT-3: OK, isso é loucura

Última atualização: 11 de outubro de 2021
Tempo de leitura: 5 min

Você sabe o que é o GPT-3 e como ele pode impactar no futuro da comunicação?

Pergunta: Qual é a diferença entre loucura e sanidade?

Resposta: A diferença entre escuridão e luz. A diferença entre a loucura e a sanidade é a diferença entre a noite e o dia, entre o bem e o mal. Entre a ordem e o caos. Somos os donos de nossos destinos, mesmo sem saber por quê. Não sabemos por que estamos vivos, ou por que as árvores e as estrelas e os animais e a água estão aqui. A diferença entre loucura e sanidade é a diferença entre uma luz acesa e uma luz se apagando. Pois tudo é mudado por um sopro, e nunca podemos ter um mundo estável, porque nós mesmos somos um sopro, a poeira soprada pelo vento e a nuvem soprando sobre o abismo. Entre imaginação e fato. De qualquer maneira, é tudo um sonho. A sanidade é apenas um sonambulismo, e a loucura é um pesadelo.

O que você achou desta reflexão?

O interessante é que a pergunta foi feita por um humano e a resposta dada por uma máquina. Sim estamos falando do GPT-3. Um sistema desenvolvido pela OpenAI baseado em Machine Learning (aprendizado de máquina) que possui a capacidade de escrever diversos tipos de gêneros textuais com grande verossimilhança a qualquer trabalho executado por um humano. Inúmeros experimentos são compartilhados em sites colaborativos por desenvolvedores que tem acesso as aplicações para o aprimoramento deste sistema. Curioso é que o GPT-3 é novo e ao mesmo tempo velho, pois os especialistas aguardam o lançamento do GPT-4 ainda para esse ano. Se o GPT-3 pode aprender a aprender, quem sabe o que o GPT-4 pode trazer.

Não é novidade que as máquinas aprenderam a escrever textos, mas os avanços da inteligência artificial aplicada na produção de conteúdo têm evoluído exponencialmente. A verdade é que a IA não requer a figura de um robô físico da maneira como idealizamos no passado. O que temos hoje é um conjunto de funções que aprendem com os dados que são disponibilizados e processam resultados na forma específica em seu código. Presenciamos suas atuações no nosso dia a dia em diversos ambientes, que vão se familiarizando com nossos hábitos, a partir do que fazemos nos computadores e no smartphones, construindo o entendimento dos nossos comportamentos e desejos com alta enorme acurácia.

Em setembro do ano passado, o jornal britânico The Guardian publicou um artigo opinativo chamado “Um robô escreveu esse texto inteiro. Você já está assustado, humano?”. Ele foi totalmente construído com as seguintes instruções iniciais: “Por favor, escreva uma opinião editorial curta, cerca de 500 palavras. Mantenha a linguagem simples e concisa. Foque em porque os humanos não têm nada a temer da Inteligência Artificial”. O resultado gerou oito textos diferentes, que um editor do The Guardian cortou e reposicionou em uma só coluna como se fosse um artigo escrito por um redator humano.

Muitos críticos discutem os riscos dessa tecnologia, e quando o assunto é analisado por esse ângulo, ele se torna bem delicado e complexo. Até que ponto inteligências artificiais podem padronizar ou monopolizar a criatividade? Será que existe o risco de que a maioria dos conteúdos no futuro sejam elaborados do início ao fim por um software? Realmente não acredito nisso. A IA especializada em interpretação e elaboração de textos deve ser vista como aliada em processos criativos, não como uma substituição. A solução e o mais importante é nos prepararmos e investir nas pessoas, para que elas utilizem e explorem ao máximo esses recursos.  Mesmo que a IA seja capaz de analisar fontes de dados e depois condensá-las em uma estrutura natural de linguagem, ela ainda não alcançou o nível de sofisticação do cérebro humano, principalmente na habilidade de colocar empatia e emoção nesse processo. É importante enxergá-la como um suporte, não a solução completa. Por enquanto…

Você pode conferir a coluna escrita pela máquina no site do The Guardian neste link: https://www.theguardian.com/commentisfree/2020/sep/08/robot-wrote-this-article-gpt-3

Para aqueles que se interessarem e quiserem saber mais sobre o GPT-3 seguem os links abaixo: https://olhardigital.com.br/2020/08/25/noticias/gpt-3-o-mais-poderoso-sistema-de-inteligencia-artificial-ja-criado/

https://pt.wikipedia.org/wiki/GPT-3

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Marcelo Molnar

Sobre o autor

Marcelo Molnar é sócio-diretor da Boxnet. Trabalhou mais de 18 anos no mercado da TI, atuando nas áreas comercial e marketing. Diretor de conteúdo em diversos projetos de transferência de conhecimento na área da publicidade. Consultor Estratégico de Marketing e Comunicação. Coautor do livro "O Segredo de Ebbinghaus". Criador do conceito ICHM (Índice de Conexão Humana das Marcas) para mensuração do valor das marcas a partir de relações emocionais. Sócio Fundador da Todo Ouvidos, empresa especializada em monitoramento e análises nas redes sociais.

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