Algoritmos: como nos proteger de nós mesmos
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Albert Einstein escreveu uma vez: “Qualquer tolo pode saber. A questão é entender”. Tenho lido e acompanhado centenas de artigos analisando o impacto da Inteligência Artificial (IA) e dos algoritmos em nossa sociedade e em nosso futuro. Muitas vezes, de forma crítica e negativa. Essas questões vêm ganhando maior relevância em um momento em que surge a possibilidade da ampliação tecnológica com as propostas do metaverso e o conceito de entrelaçamento do mundo real com o mundo virtual. Mas, precisamos ser realistas e admitir que o uso dos algoritmos não é a causa da maioria dos problemas, mas a consequência das nossas ações, pois estas revelam o verdadeiro comportamento humano.

Recentemente, o Papa fez um apelo: “Parem de explorar a fragilidade humana”, utilizando paradoxalmente as redes sociais para maior alcance e repercussão, dirigindo-se as gigantes da tecnologia, reprovando o uso da vulnerabilidade das pessoas para obter lucros. É fato que alguns algoritmos potencializam comportamentos sociais indesejados, mas eles são transparentes e expõem a realidade como um espelho perfeito, mostrando com nitidez inegável os resultados do que somos e fazemos. Não podemos nos esconder ou culpar o reflexo distorcido, muito menos responsabilizar nossos próprios avatares.

É fato também que os algoritmos não têm sentimentos, valores e capacidade de julgamento moral. A IA apenas apresenta um cenário ampliado dos nossos problemas cotidianos. A depressão dos jovens é decorrente de expectativas de várias gerações em acreditar que os filhos serão mais inteligentes, ricos e bem-sucedidos que seus pais. A polarização ideológica é fruto a manipulação daqueles que detêm o poder de decisão frente aos que controlam os meios de comunicação. A incitação à violência está no nosso DNA desde o tempo das cavernas. Nem precisamos falar sobre nossa criatividade nata de mentir e criar histórias. Nada disso é novo ou nasceu nas redes sociais.

É sabido que o processamento de dados em larga escala vem sendo utilizado como uma poderosa ferramenta para negócios e governos. A partir da coleta de dados desenvolveram-se algoritmos de recomendação, criaram-se produtos adaptados aos costumes dos usuários, detectaram-se padrões de comportamentos para controlar o trânsito digital dos consumidores. Sabemos de tudo isso, mas muitas vezes não entendemos as reais consequências. Criticar é fácil, difícil é enxergar as oportunidades.

Quais são os critérios e prioridades utilizados por esse sequencial lógico, principalmente nas redes sociais, quando com seus filtros impercebíveis definem o que será exibido e o que será oculto de nós? Neste caso, especificamente, estamos rendidos. Não há registros visíveis ou conhecidos pelos usuários. Resta saber quais serão os impactos sociais e políticos dessa padronização e da linearidade de interesses e ideias que, por vezes, não nos permite pensa ou querer algo fora da caixa. Os algoritmos podem ser, então, tanto os mocinhos quanto os vilões.

Analisar dados passados e presentes para calcular probabilidades futuras sempre foi o caminho que encontramos para o desenvolvimento. Muito inventores e cientistas morreram infelizes ao constatarem o uso equivocado e maléfico das suas invenções. Mas a pólvora, o avião ou a internet não foram criados para as guerras. Seus benefícios são incontestáveis. Foram os homens que descobriram como utilizá-los para o perverso fim. O maior culpado não é o meio em que se propagam as fake news, mas sim quem as cria. É famosa, antiga e desacreditada a solução de matar o mensageiro. Mas é isso que muitos propagam, quando condenam os algoritmos e as ferramentas de IA.

Nesse mundo quase pós-pandêmico enfrentaremos duas grandes revoluções sobrepostas: a revolução tecnológica que incentivará a substituição do trabalho humano pelos robôs, modificando o processo de subsistência ao provocar desequilíbrio social, e a revolução climática que enfrentará o desafio do crescimento constante do PIB com redução do consumo energético. Será inevitável que, na sobreposição destas revoluções, inicie uma ampla reorganização e transformação da sociedade nos próximos anos.

Na comunicação, é preciso estar atento às oportunidades que serão oferecidas nesse prometido metaverso. Em princípio, podemos visualizar algumas delas: a promoção das marcas com o dinamismo de um ambiente multimodas; maior interatividade entre o negócio e o cliente; a possibilidade de um marketing conversacional mais efetivo por meio da criação de avatares – os já populares chatboots numa versão 3D, entre outras. Entender esse novo fluxo e estar preparado para essas transformações será vital para a sobrevivência das áreas e dos negócios. Tudo depende da forma como utilizamos e olhamos para eles. O senso crítico é fundamental para nos protegermos de nós mesmos.

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Marcelo Molnar

Sobre o autor

Marcelo Molnar é sócio-diretor da Boxnet. Trabalhou mais de 18 anos no mercado da TI, atuando nas áreas comercial e marketing. Diretor de conteúdo em diversos projetos de transferência de conhecimento na área da publicidade. Consultor Estratégico de Marketing e Comunicação. Coautor do livro "O Segredo de Ebbinghaus". Criador do conceito ICHM (Índice de Conexão Humana das Marcas) para mensuração do valor das marcas a partir de relações emocionais. Sócio Fundador da Todo Ouvidos, empresa especializada em monitoramento e análises nas redes sociais.

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