Última atualização: 11 de junho de 2024
Tempo de leitura: 4 min
Existe uma complexa relação entre a intencionalidade na comunicação e a vitimização, refletindo como as mensagens são construídas, percebidas e utilizadas dentro de contextos sociais. Esse processo, pelo qual indivíduos ou grupos se identificam ou são identificados como vítimas de injustiças, danos ou sofrimentos, tornou-se um fenômeno na comunicação digital, graças à facilidade e à rapidez da disseminação de narrativas pessoais para um público amplo.
Associada às redes sociais, a cultura do cancelamento cresceu e passou a ser uma estratégia para solidificar a coesão do grupo ou para mobilizar apoio contra adversários percebidos, muitas vezes enquadrando disputas em termos de falsos opressores contra ilusórios oprimidos. Enganadores ampliam distorções e favorecem reivindicações nem sempre justas. São narrativas que geram engajamento, atraindo visualizações, curtidas e compartilhamentos, o que, por sua vez, pode ser monetizado ou usado para aumentar a influência online.
A vitimização é um fenômeno tão antigo quanto a própria humanidade. Desde os tempos antigos, as sociedades têm documentado casos de indivíduos ou grupos que se apresentaram como injustiçados ou prejudicados por outros, seja em textos históricos, religiosos ou literários. Na antiguidade, muitas culturas e civilizações já reconheciam conceitos de injustiça. Durante a Idade Média, a martirização era um tema frequentemente abordado dentro de contextos religiosos ou feudais. Na era contemporânea, continua a ser um tema central em discussões sobre direitos humanos, justiça social e política.
Hoje, a evolução da inteligência artificial (IA) traz consigo um vasto potencial para transformar a sociedade, a economia e a forma como interagimos com o mundo ao nosso redor. No entanto, como acontece com qualquer tecnologia disruptiva, também surgem preocupações significativas sobre suas implicações éticas, sociais e legais. Uma dessas preocupações é o potencial aumento da vitimização em diferentes formas, à medida que novas tecnologias se tornam mais integradas em nossas vidas.
A automação impulsionada pela IA pode levar ao desemprego tecnológico, onde máquinas e algoritmos substituem o trabalho humano em várias indústrias. Sistemas são criados a partir de dados que podem conter vieses históricos e sociais. Se não forem cuidadosamente projetados e monitorados, esses sistemas podem simular ou exacerbar discriminações contra grupos vulneráveis, influenciando indivíduos com base em raça, gênero, orientação sexual, entre outros.
O mundo nunca foi perfeito ou totalmente justo, o que devemos evitar são os excessos praticados por muitos aproveitadores. Sabemos que a IA é usada para manipular comportamentos e opiniões através de técnicas sofisticadas de análise de dados e entrega de conteúdo personalizado. Por isso, há a necessidade de uma evolução analítica, para não mudar comportamentos de indivíduos que são sutilmente influenciados sem perceber, perdendo a autonomia pessoal e a liberdade de escolha.
A comunicação usada para manipular a percepção pública polariza vítimas e agressores. Isso é observado em contextos políticos ou midiáticos, onde a narrativa em torno de um evento é moldada, maximizando a vitimização de certos grupos. Por outro lado, pode ser intencionalmente usada de maneira empoderadora, permitindo que grupos compartilhem suas histórias, destacando injustiças. Ela se torna uma estratégia usada por políticos e pessoas poderosas, alimentando processos cognitivos e neurológicos, para evitar a responsabilidade de suas ações, atribuindo fracassos a fatores externos.
Finalmente, a vitimização passou a ser uma estratégia para ganhar poder, recursos ou vantagens numa “economia da vitimização”, onde ser percebido como vítima pode trazer benefícios tangíveis, como maior visibilidade na mídia, votos, recursos financeiros e, o pior de tudo, apoio dos próprios prejudicados.
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