Mundo Quântico: Margem de Erro

Última atualização: 2 de novembro de 2022
Tempo de leitura: 3 min

Academicamente, existe uma ligação entre a relatividade e o mundo quântico. A condicionalidade da possibilidade do erro é o que muitas vezes define nossas decisões. Corremos riscos, mas sempre queremos acertar ou estar certos. O princípio da relatividade foi aparecendo ao longo da história da filosofia e da ciência, como consequência da compreensão progressiva de que dois referenciais distintos oferecem visões perfeitamente plausíveis, ainda que diferentes, de um mesmo efeito. Complexo? Totalmente.

Não podemos dizer que a relatividade é uma novidade, pois a teoria foi publicada por Albert Einstein no ano de 1905. Um ambiente totalmente diferente do universo macroscópico que estamos acostumados. Nas escalas subatômicas, as leis da Física funcionam de forma não determinística, isto é, as coisas podem ou não acontecer segundo uma distribuição de probabilidades. As vezes o comportamento humano é parecido com os das pequenas partículas.


As metodologias atuais para descobrir as intenções das pessoas comprovadamente estão ultrapassadas. Na política, no marketing ou na comunicação. Não é necessariamente um erro, mas um esgotamento da métrica preditiva para questões mais complexas. Em um mundo de infinitas influências, questionários e perguntas só servem para perda de tempo e de dinheiro. Novas métricas para o arsenal preditivo devem urgentemente ser praticadas. Afinal, estamos acompanhando implementações tecnológicas de inteligência artificial (IA) em inúmeras áreas.


O casamento entre a IA e a computação quântica não é mais um conceito futurista. Enquanto os computadores clássicos calculam em bits que representam 0 e 1, os computadores quânticos usam bits quânticos, ou qubits, para aproveitar fenômenos da mecânica quântica como superposição, emaranhamento e interferência para resolver problemas que são impossíveis aos computadores clássicos.


Se a física quântica deixar o estágio experimental e se transformar em aplicações cotidianas, encontrará muitos usos e mudará muitos aspectos das nossas vidas. Com seu poder de processar rapidamente imensas quantidades de dados que sobrecarregariam qualquer um dos sistemas atuais, os computadores quânticos poderão potencialmente permitir uma melhor previsão do tempo, análise financeira, planejamento logístico, pesquisa espacial e descoberta de drogas. E quem sabe também na forma de prevermos intenções de voto.


Não foi por acaso que recentemente a Academia Real das Ciências da Suécia anunciou que Alain Aspect, John F. Clauser, e Anton Zeilinger foram os laureados do Prêmio Nobel de Física de 2022. O trio recebeu o reconhecimento por experimentos envolvendo emaranhamento quântico, cujos resultados abriram caminho para o desenvolvimento de novas tecnologias na era da informação quântica.


Aspect, Clauser e Zeilinger demonstraram, a partir de seus experimentos, a possibilidade de se controlar e usar partículas em estado de emaranhamento quântico. Quando duas partículas se encontram nesse estado, ao medir as propriedades de uma, nós automaticamente somos capazes de descobrir as propriedades da segunda, sem nem mesmo precisar checar diretamente essa outra partícula.


Marcelo Yamashita, professor de Física Teórica da Unesp compara um sistema de partículas emaranhadas a um jogo de dados: Imagine que temos dois dados, mas que só temos acesso à soma total dos dois, por exemplo, 7. A combinação dos valores individuais dos dados poderia ser qualquer uma dessas duplas: (6,1), (5,2), (4,3), (3,4), (2,5) ou (1,6). Um sistema emaranhado é parecido com essa situação: você conhece o resultado da soma, mas não conhece os estados individuais. Novos recursos quânticos já estão a nossa disposição.


Independentemente de os computadores alcançarem ou não inteligência semelhante à humana, a IA de hoje é pouco mais do que um sistema bruto e não inteligente para automatizar decisões usando algoritmos e outras tecnologias que trituram quantidades sobre-humanas de dados. O uso generalizado por governos e empresas para vigiar espaços públicos, monitorar mídias sociais e criar deepfakes afetam todos os campos da comunicação. Erros são inevitáveis, mas os processos preditivos atuais estão claramente obsoletos.

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Marcelo Molnar

Sobre o autor

Marcelo Molnar é sócio-diretor da Boxnet. Trabalhou mais de 18 anos no mercado da TI, atuando nas áreas comercial e marketing. Diretor de conteúdo em diversos projetos de transferência de conhecimento na área da publicidade. Consultor Estratégico de Marketing e Comunicação. Coautor do livro "O Segredo de Ebbinghaus". Criador do conceito ICHM (Índice de Conexão Humana das Marcas) para mensuração do valor das marcas a partir de relações emocionais. Sócio Fundador da Todo Ouvidos, empresa especializada em monitoramento e análises nas redes sociais.

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